Segredo de Polichinelo

Segredo de Polichinelo

O amor nasceu na igreja no primeiro olhar, mas ninguém percebeu...

Segredo de Polichinelo 

 Crônicas Fatais para uma Cidade Esquecida

 Segredos de Polichinelo

 No começo foi assim, de modo disfarçado que ele a viu na igreja, toda recatada, com olhos límpidos, cor de avelãs, e suaves contornos como se lembrasse o quadro de  Johannes Vermeer, de Amsterdam, pintura conhecida como a Mona Lisa do Norte, por causa dos brincos de pérola e o lenço na cabeça.

Ah, o olhar da jovem!

Um olhar penetrante como se quisesse ler os seus pensamentos perturbadores cujos pensamentos davam asas às mais desencontradas emoções. Não prestava atenção ao que o pastor falava pois só tinha olhos para aquela que igualmente de forma disfarçada também o fitava de soslaio, como se o incentivasse a uma paquera inusitada dentro da igreja.

Aliás, esse não era um dos motivos que jovens casadoiras iam todas arrumadinhas e cheirosas, com roupas novas e olhares faceiros para as igrejas, na expectativa que fossem agraciadas com as bênçãos de um namoro e quem sabe um matrimônio?

Tímido, receoso que o seu segredo fosse descoberto pelos amigos que iriam zoar com ele, começou a tomar precauções para evitar o vazamentos da informação que guardava a sete chaves.

Sim, iria dar todo o seu amor para a jovem, de forma silenciosa, amordaçando seus sentimentos bem lá no recôndito de sua alma, bem escondido.

 Um simples sorriso dela equivalia a achar um tesouro de inesgotável possibilidades.

Um olhar sorrateiro dela equivalia a um mergulho nas borbulhas da paixão que tocava suas emoções e se sentia ao mesmo tempo um gigante assomando às estrelas do seu universo particular.

Ao contrário do que imaginava, apesar de todo cuidado, seu “mis em scene” não passava desapercebido para os demais frequentadores da igreja que viam entretanto, no affaire algo passageiro, sem consequência, um ‘’namorico’’, apenas.

Foram deixando ao natural o namoro que consideravam sem qualquer consequência, uma simples atração, um Amor de Polichinelo, uma ópera bufa que se perderia nos espetáculos da vida, um sopro de ingenuidade tangendo um amor adolescente que se esfumaria mais cedo ou mais tarde, fugaz como um fogo de palha.

Por isso que foi com um choque, estupor, sobressalto, e tristeza que naquele final de semana pela manhã, nenhum dos jovens compareceu à igreja.

Não tinha nenhum recado, mensagem, aviso, nada.

O segredo de Polichinelo era agora uma realidade e em algum lugar dois jovens de mãos dadas buscavam encontrar seu caminho marcando com os pés a rota a seguir.

Infinito enquanto dure como cantou o poeta maior.

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